Batida Só!

Giovana Madalosso

O livro segue em Batida só!

Uma jovem mulher passa mal na rua e é levada ao hospital. Ali, descobre que possui um problema cardíaco e que precisará procurar um especialista. A recomendação médica, porém, vem acompanhada de uma orientação difícil de cumprir: evitar emoções fortes.

Todavia, 2025

Mas como evitar as emoções? É possível se imunizar daquilo que nos afeta?

Na tentativa de encontrar tranquilidade para seguir o tratamento, ela decide deixar a cidade e se mudar para o interior, retornando à casa que pertencera aos avós e onde vivera durante a infância. O retorno ao espaço conhecido também a reconduz às lembranças desse período, especialmente à relação de profundo afeto que mantinha com a avó.

É nesse movimento de retorno que o passado começa, de algum modo, a reencontrá-la.

Ela também volta a ter contato com uma grande amiga de infância. Apesar de tentar mantê-la à distância, a amiga insiste em atravessar suas defesas e, aos poucos, volta a ocupar um lugar em sua vida. Mãe de um filho que também enfrenta problemas de saúde, ela carrega uma vitalidade impressionante — justamente o tipo de presença que provoca emoções fortes naquela que havia decidido evitá-las.

Justamente quando tenta se manter longe das emoções, ela consegue estabelecer as relações mais afetivas, intensas e emocionantes.

Há algo de paradoxal nisso, tão presente na própria experiência da vida: quanto mais tentamos nos proteger daquilo que pode nos afetar, mais somos surpreendidos pelo que nos toca.

Talvez não seja possível viver sem risco de sentir.

O coração, afinal, não bate sozinho apenas porque queremos. Ele segue seu próprio ritmo, marcado por encontros, perdas, lembranças, afetos e surpresas. E talvez seja justamente essa impossibilidade de controlar inteiramente aquilo que nos atravessa que faça da vida uma experiência tão radicalmente humana.

Em Batida Só, Giovana Madalosso parece nos conduzir por essa pergunta: o que acontece quando, para preservar o corpo, tentamos preservar também o coração das emoções?

Talvez a resposta esteja no próprio paradoxo do livro: quando tentamos nos imunizar daquilo que nos afeta, podemos acabar descobrindo que é justamente o afeto que nos mantém vivos.

Recomendadíssimo!!!

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