Pelo que vale a pena viver?

Para muitos de nós essa não é uma pergunta à qual recorremos com frequência, mas certamente é uma pergunta que passa pela cabeça em algum momento da vida.

Como seria a vida se tivéssemos todo o tempo à nossa disposição?

Fosca, personagem principal do romance Todos os homens são mortais, de Simone de Beauvoir, consegue realizar o desejo de ser imortal. O que inicia como sendo uma grande conquista passa a ser uma prisão que gradativamente vai matando seus desejos, seu ímpeto de vida.

A morte, por mais que não pensemos nela ou quando muitos de nós a temem enormemente, sabemos que é uma certeza na vida. Inclusive isso faz parte de um dito popular: “a única certeza que temos na vida é a morte”.

Saber disso não tranquiliza, não explica a morte, para alguns não amedronta, mas certamente é algo que ajuda a ordenar o tempo da nossa existência, ainda que essa organização não seja pensada conscientemente.

Ao se tornar imortal, Fosca sente-se invencível, tinha tudo pela frente, um mundo a conquistar. À medida que o tempo passa para os demais, que vão envelhecendo e morrendo, mas não passa para ele que dispõe de todo o tempo, seu desejo pelas coisas da vida esmaece, afinal tudo podia ser realizado depois.

Em alguns momentos de sua existência vive experiências que auxiliam a dar um sentido à vida, mas isso não perdura, no entanto lhe permitem um amadurecimento para compreender que havia se tornado um homem sem passado, sem presente e sem futuro, embora tenho vivido vários momentos da história e contasse com tudo que ainda estava por vir.

Em suas próprias palavras:

“…eu não podia arriscar a vida, não podia sorrir-lhes, não havia lágrimas nos meus olhos, nem chama no meu coração. Um homem de nenhum lugar, sem passado, sem futuro, sem presente. Eu não queria nada; eu não era ninguém…” Fosca

Um romance que nos faz pensar no sentido de nossa existência. Para nós do Página Falada, nos fez pensar no que temos feito para dar sentido à nossa existência e escolhemos rechear a vida com a leitura, a escrita, a relação amigável entre nós, o diálogo, as risadas, as reflexões e outras coisas, que nos alimentam e nos mantem vivas nesse grande desafio que é viver.

Pelo que vale a pena viver? Esse é um projeto em constante construção!

Livro: Todos os homens são mortais, Simone de Beauvoir, Editora Nova Fronteira